5 estados devem vacinar rebanho contra febre aftosa pela última vez em 2019

18 de março de 2019 - 17:15 | Postado por:

Um momento chave para a pecuária brasileira se aproxima. É hora de colocar em prática mais uma etapa do Plano Estratégico do Programa Nacional de Febre Aftosa (PNEFA), que prevê – entre outras coisas – a retirada gradativa da vacinação contra a doença no país. Lançado em 2017, o “plano” mira num horizonte de 10 anos, estabelecendo metas que permitam dar esse passo adiante, sem abrir mão de medidas que garantam as condições sanitárias conquistadas pela pecuária brasileira. Entre elas, o melhor aparelhamento e estruturação dos estados com foco em defesa sanitária animal.

Dois anos após o seu lançamento, o Plano Estratégico entra agora na fase que mais deve atrair holofotes: a vacinação derradeira nos primeiros estados que vão deixar de imunizar o rebanho a partir do segundo semestre. Pelo cronograma do Ministério da Agricultura, os pecuaristas dos estados do Acre, Rondônia, Paraná e de alguns municípios de Amazonas e Mato Grosso, vão vacinar – pela última vez – os animais contra a doença. Será na etapa de maio.

Em Mato Grosso – que originalmente pertence ao chamado “grupo 5” deste cronograma – o “fim” da vacinação no primeiro semestre de 2019 irá envolver cerca de 700 produtores, com um rebanho de aproximadamente 310 mil animais, distribuídos em municípios que estão na divisa com Rondônia e que possuem forte dependência do comércio de animais e produtos de origem animal com este estado. Nesta lista está incluído todo o rebanho de Rondolândia, parte de Colniza, cinco propriedades localizadas em Aripuanã e mais algumas em Juína.

Mais do que expectativa com este importante passo, o setor produtivo sinaliza preocupação e uma dúvida: já estaríamos realmente prontos para suspender a vacinação? A diretora-executiva da Acrimat, Daniella Bueno, aponta um dos motivos da apreensão. Ela lembra que para colocar o cronograma em prática será preciso um investimento milionário em Mato Grosso, direcionando recursos para – entre outras coisas – construir e estruturar duas barreiras fixas do Indea e, principalmente, contratar e capacitar mão-de-obra.

Entretanto, a poucos meses desta “data-chave”, ainda não se sabe ao certo de onde virão estes recursos. No início do ano, o Governo de Mato Grosso decretou estado de calamidade financeira, o que reduz as chances de que a gestão estadual direcione o dinheiro necessário para atender à demanda da sanidade animal. Por outro lado, os pecuaristas reforçam que não vão aceitar pagar a conta sozinhos, uma vez que já perdem parte significativa da receita pagando impostos que abastecem os cofres do estado.

Dúvidas a parte, o cenário em Mato Grosso ilustra o que também ocorre em outras regiões do país e reforça a indagação sobre o momento exato da retirada da vacinação contra a febre aftosa. O maior receio, ao que parece, está na conhecida falta de compreensão (de quem não é do setor) da importância deste tema. Enquanto a sanidade animal não receber o tratamento prioritário que merece, o risco de dar um passo em falso continuará sendo uma ameaça.

Fonte: Canal Rural

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