Aeroportos brasileiros dão brecha a ações terroristas

28 de janeiro de 2011 - 13:31 | Postado por:

Esta semana, o atentado que matou 35 pessoas no aeroporto de Moscou levantou perguntas sobre a segurança de aeroportos do mundo todo. E aqui no Brasil? O que está sendo feito? Márcio Gomes e o especialista em emergências Moacyr Duarte mostram o manual da vida segura nos aeroportos.

Márcio Gomes: O aeroporto de Domodedovo é o maior e mais importante da Rússia, um país já acostumado com ações terroristas, com várias regiões brigando pela independência. Mas nada disso impediu o ataque da última segunda-feira. Que análise a gente pode fazer dessa ação terrorista?

Moacyr Duarte: Que mudou o foco dos atentados. Eles hoje têm o objetivo de gerar comoção, e não mais atingir áreas sensíveis, como aeronaves e os espaços de combustível. É apenas criar transtorno e constrangimento na população.

Márcio Gomes: Onde exatamente aconteceu esse ataque?

Moacyr Duarte: Foi em uma área externa ao aeroporto, naquela área onde aguardamos o desembarque dos familiares, onde basicamente não tem check para quem chega ali porque está na área externa.

Márcio Gomes: Trazendo essa discussão para o Brasil, até por conta dos grandes eventos que teremos pela frente, como Copa do Mundo e Olimpíadas. Vamos falar sobre nossos dois maiores aeroportos, começando pelo Rio de Janeiro, o Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim. São dois terminais, o primeiro deles construído em 1977. É um projeto antigo. Se falarmos em segurança, quais são as implicações desse aeroporto em atividade?

Moacyr Duarte: A principal implicação no Terminal 1 é acessibilidade. Uma parte do estacionamento foi construída embaixo do prédio principal do aeroporto. Isso faz com que o atentado na área externa possa afetar o saguão e, ao mesmo tempo, que o indivíduo possa se mover em direção ao saguão com uma grande quantidade de material explosivo, tendo como único ponto de controle a cancela do estacionamento.

Márcio Gomes: Já no Terminal 2, esse problema não existe.

Moacyr Duarte: No Terminal 2, o estacionamento é completamente externo, o que facilita a vigia em relação à aproximação do terminal. Pessoas se deslocam com aqueles volumes tradicionais, malas de mão e de arraste.

Márcio Gomes: Em São Paulo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, não tem esse problema de estacionamento. São dois terminais, uma configuração um tanto diferente da do Rio. Mas, ainda assim, temos outros problemas em Guarulhos?

Moacyr Duarte: O desafio de Guarulhos é a dimensão geral do terminal, a quantidade de fronteiras que ele tem com a área em torno. Isso gera um grande problema porque existem muitos acessos para terceirizados, prestadores de serviço, caminhões de combustível. Isso torna a complexidade e circulação interna do aeroporto um grande desafio, porque esse terminal tem circulação de milhares de pessoas por dia.

Márcio Gomes: Qual seria a maneira eficiente de levar segurança a um local com tanta gente que chega a todo momento, 24 horas por dia?

Moacyr Duarte: A gente deve lembrar que não é um problema simples. As últimas tentativas de ataque aos Estados Unidos falharam por erros do terrorista, e não por investimento no sistema de segurança. O desafio que vamos ter é usar mais inteligência para não saturar o passageiro do evento. Tem que ter integração dos bancos de dado, inclusive com os bancos internacionais de dado, utilização de software de reconhecimento facial e, principalmente, a formação de culturas de segurança nos terminais com a comunidade aeroportuária participante intensivamente.

Márcio Gomes: Qual o papel de agentes disfarçados e não uniformizados misturados às pessoas?

Moacyr Duarte: Esse aspecto tem o mesmo sentido do treinamento da comunidade aeroportuária. A percepção desses atentados é feita de detalhes. Comportamento, nervosismo, deslocamento irregular. A ação de contenção é extremamente difícil.

Márcio Gomes: E temos tempo para aprender e aplicar tudo isso até a Copa do Mundo em 2014?

Moacyr Duarte: Com investimento adequado – todas as tecnologias de que falamos aqui estão disponíveis -, com vontade política e organização, é possível chegar a 2014 com um bom sistema de segurança para o fim proposto.

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