Ameaçado de morte, suplente de Taques abre mão de suplência

7 de dezembro de 2010 - 09:48 | Postado por:

Rondonópolis pode perder a primeira suplência na vaga do senador eleito Pedro Taques (PDT). O primeiro suplente eleito, José Antônio Medeiros (PPS), confirmou que está sendo pressionado pelo grupo do segundo suplente, Paulo Fiúza (PV), a abrir mão da primeira suplência do Senado. “A pressão não está somente em mim e sim no Percival e também no Pedro Taques” – disse Medeiros. Na realidade, Fiúza pressionou Taques, Percival Muniz e até mesmo o candidato do grupo ao governo Mauro Mendes para buscar apoio na articulação com o intuito de derrubar Medeiros. Os líderes, a princípio, não resistiram a pressão.

O primeiro suplente que é policial rodoviário federal explicou que o segundo suplente, Paulo Fiúza, se baseia em uma ata antes da escolha de Medeiros para entrar na chapa de Pedro Taques. “Ele alega que há uma ata quando o Zeca Viana desistiu e ele [Fiúza] com a desistência do Viana passaria a ser o primeiro suplente”, disse. Fiúza foi um dos principais colaboradores na busca de recursos para a campanha de Pedro Taques.

Medeiros entrou como suplente depois da desistência de Viana e foi registrado no Tribunal Regional Eleitoral como primeiro suplente. No sábado,  inclusive, houve uma reunião marcada por muita tensão entre os dois suplentes, Pedro Taques e membros do PPS e PDT.

Medeiros explicou ainda que recebeu um documento para assinar, onde reconheceria que houve um erro de registro, o que daria condições para Fiúza entrar com pedido da primeira suplência junto à Justiça Eleitoral. “Fui muito pressionado e acabei assinando o documento” – afirmou. Medeiros explicou que se não assinasse o documento e Fiúza entrasse na Justiça, Taques estaria correndo o risco de perder o mandato. Ele disse, inclusive, que diante desse quadro pode antecipar a situação e renunciar junto ao Tribunal Regional Eleitoral à primeira suplência.

“O que me estranha é que o Fiúza somente veio dizer isso agora, que ganhou a eleição. Durante a eleição teve prestação de contas e tudo mais e ele não se manifestou” – disse Medeiros.

Medeiros demonstra muita chateação com o impasse. Segundo ele, houve inclusive ameaças mais sérias. “Fui até ameaçado de morte, não diretamente pelo Fiúza, mas por gente que estava com ele, e durante a semana eu recebi ligações com ameaças veladas”, denunciou. Medeiros repassou que as ameaças foram testemunhadas pelos membros do PPS, Antônio Carlos Maximo e João Batista de Oliveira.

O suplente disse que Taques está preocupado com a situação e os reflexos dessa confusão, principalmente em Rondonópolis, cidade onde o senador eleito foi muito bem votado. No município, Taques foi o segundo mais votado, ficando a apenas mil votos de diferença do governador Blairo Maggi, que foi o candidato ao senador mais votado no município.

O senador eleito obteve na cidade 62.981 votos contra 63.981 do ex-governador Blairo Maggi. Uma grande parcela destes votos em Rondonópolis foi resultado da ação de Medeiros, onde os eleitores apesar de saber que Taques era o candidato, levaram em consideração o fato de Medeiros ser o primeiro suplente. O risco também é o eleitor de Rondonópolis se sentir lesado por não ter mais o primeiro suplente.

Para se ter uma ideia do que ocorreu, em Sinop, cidade de Paulo Fiúza, Pedro Taques foi o terceiro colocado. Ele ficou atrás de Blairo Maggi (PR) que teve 34.857 votos, Jorge Yanay (DEM) que obteve 23.731 votos. Taques, em Sinop, teve apenas 16.124 votos e por pouco não foi alcançado por Carlos Abicalil (PT) que ficou com 15.753 votos.

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