Bancários prevêem novos assaltos em MT por falta de investimentos

6 de dezembro de 2010 - 11:16 | Postado por:

Homens encapuzados com armas de grosso calibre em punho, gritando e ameaçando a tudo e a todos. É mais um assalto a agências bancárias no interior de Mato Grosso. Correria, de repente, pessoas vão saindo e sendo usadas como “escudo humano”. Eles dão tiro para o alto e ameaça a Polícia, que, em menor reduzido, espera o desfecho. Ato seguinte, pessoas são levadas em camionetes e outros veículos junto com os bandidos e uma quantidade de dinheiro. Alta velocidade, tiros e mais medo.

A rotina de paz se foi. E esse quadro aterrorizante deve permanecer por mais algum tempo em Mato Grosso.  Pelo menos até que os bancos “se armem” contra a criminalidade. “Essa realidade precisa ser mudada, pois a insegurança e os riscos pelos quais os bancários vêm passando só será revertida, a partir do momento que os bancos investirem em mais segurança, como vidros blindados, segurança armada no interior” – diz o secretário do Sindicato dos Bancários, Alex Rodrigues.

E não é de hoje que os bancários vêm cobrando ações fortes para proteção de clientes e funcionários. As respostas, no entanto, são vagas. Vide a questão das portas giratórias, hoje  obrigatórias. Apesar do dispositivo, um tiro é suficiente para colocar tudo ao chão: os bandidos entram e fazem aquilo que se propõe.

O pior ainda não aconteceu em Mato Grosso, onde os assaltos a bancos têm sido uma constante. E os criminosos têm sido pródigos em suas metas. Eles têm escolhidos, principalmente, alvos que permitem maior “lucro” no assalto. São cidades de alto poder de negócios no campo. Além disso, planejam de olho no calendário e atacam no dia em que há mais numerário em caixa. O assalto em Campo Novo dos Parecis, de cuja agência do Banco do Brasil foram levados em torno de R$ 2 milhões, pode ser considerado emblemático. A destruição impressiona.

 “Os bandidos atearam fogo na sala online do banco e destruíram tudo o que viram pela frente, como por exemplo, toda a rede elétrica da unidade”, relata. “O banco levará, no mínimo, uma semana para deixar tudo em ordem” – afirma.

Os números da violência causam medo. Somente neste ano foram registrados 17 assaltos a bancos e mais de 90 arrombamentos a caixas eletrônicos em todo o Estado. Conforme informações da própria Polícia, as quadrilhas agem em grupo, com ações rápidas. Fortemente armados, os bandidos geralmente têm espiões dentro das agências que informam sobre os clientes que sacaram altas quantias.  Não estão computadas nessa estatística as chamadas “saidinhas”, cujo crime começa dentro da agência bancária.

Por aqui ainda não aconteceu o pior, mas pode! A precariedade das condições de segurança nas agências já causou a morte de 18 pessoas nos primeiros nove meses deste ano, o que representa uma média de duas mortes por mês em todo o Brasilo. São sete vigilantes, um bancário, seis clientes e outras pessoas que perderam a vida em ações de criminosos envolvendo bancos. Os bancários dizem que os banqueiros e administradores  deixam a proteção da vida em segundo plano epriorizam a defesa do patrimônio, na visão de aumentar ainda mais os seus lucros.

“Queremos unir forças para encontrar alternativas capazes de reduzir essa criminalidade e violência nas agências bancárias e terminais espalhados pelo Estado”, declarou o presidente do sindicato, Arilson da Silva.

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