CASO AURO IDA: Polícia “esbarra na “Lei do Silêncio”; investigações prosseguem

29 de julho de 2011 - 12:20 | Postado por:

Não existe crime perfeito. As investigações da morte do jornalista político Auro Ida, de 53 anos, esbarra na “Lei do Silêncio”, uma prática comum em todos os crimes de homicídio. A principal testemunha do crime, a namorada de Auro, a estudante Bianca Nayara Correa, de 19 anos, já declarou que não viu o rosto do assassino, e portanto, não pode fazer nenhum tipo de reconhecimento, como aliás, admite a própria Polícia.

 Auro foi executado com seis tiros de pistola calibre 380 por volta das 22h50 de quinta-feira (21). O jornalista, segundo investigações da Delegacia de Homicídio e Proteção a Pessoa (DHPP), já conhecia a região do Jardim Fortaleza onde foi executado há mais de dez anos, onde também já era bastante conhecido e de onde conheceu sua segunda mulher com quem viveu por alguns anos.
 
Tudo que a Polícia sabe até agora de concreto, no entanto, é que a morte dele está ligada a um ou vários casos passionais. Questionado sobre uma possível reviravolta no caso, passando de passional para outro motivo, o delegado Garcia não descarta, mas também, pelas atuais circunstâncias ele não acredita.
 
“Vejo muito gente falar em um crime de pistolagem profissional – assassino pago para matar -, porque o Auro estaria investigando casos polêmicos como precatórios, mas até agora ninguém veio aqui oficializar esse tipo de denúncia. Só escuto e só leio boatos de pessoas tentando levar as investigações à força para outros caminhos. Só que, essa foi uma pistolagem porque alguém encomendou a morte do Auro, mas com certeza não foi uma pistolagem profissional”, pontua Garcia.

Como o jornalista Auro Ida, como é sabido e notório, nunca usou droga. Nunca fumou e nem mesmo bebia bebidas alcoólicas, o mistério de sua morte aumenta à medida que as investigações avançam.
 
 A reportagem conversou novamente com o delegado Antonio Carlos Garcia de Mattos na tarde desta quinta-feira (28), com titular da DHPP, delegado Garcia, auxiliar  nas investigações do delegado André Gonçalves, presidente do inquérito que apura o “Caso Auro Ida”.
 
“A testemunha ocular (Bianca), não viu o rosto do matador. Aliás, as pessoas ficam falando que ela não reconheceu uma pessoa presa. Isso dá entender que ela viu tudo e só está falando para a Polícia. Isso coloca a vida dela em risco. Ela não viu nada. Ela só ouviu a voz. É esse detalhe que ela não está reconhecendo e nunca vai reconhecer porque foi tudo muito rápido e logo ela entrou em choque. Só aviso uma coisa, não existe crime perfeito e nós vamos chegar lá. Aguardem”.

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“Nós não vamos
Inventar culpados”
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Garcia, um dos mais experientes e respeitados em se tratando de investigações criminais, garante que as buscas estão adiantadas, mas também destaca que tudo está sendo feito para mandar todos os envolvidos – autor e mandantes -, para a cadeia, mas com provas técnicas, periciais, científicas e testemunhais.
 
“Não vamos inventar culpado. Primeiro não somos adeptos dessa prática, que também é um crime. Segundo, não temos pressa, e nem vamos correr apenas para atender determinadas pessoas que só sabem criticar.  Estamos investigando sim, inclusive com apoio de outras instituições e vamos concluir o trabalho na hora certa”, alerta Garcia.

Como em um jogo aberto, sem subterfúgios, o delegado revela que pelo menos 12 ou mais pessoas, inclusive algumas que tiveram seus nomes citados pela imprensa, continuam sendo investigadas.
 
O delegado afirmou com convicção que morte do jornalista Auro Ida não está envolvida o que ele poderia estar investigando com relação a precatórios, muito menos com o tráfico de droga nem com pessoas ligadas ao tráfico de drogas na região do Jardim Fortaleza.
 
“O Auro, pelo que nós estamos sabendo, nunca usou droga. Não bebia, nunca fumou, nunca comprou, nunca vendeu e, principalmente nunca investigou, ou sequer falou em investigações de tráfico quando estava se relacionando com pessoas do Jardim Fortaleza. Aliás, o jornalista já frequentava a região há  mais de dez anos. Portanto, não podemos declinar as investigações para o lado do tráfico de drogas. Isso é um ponto que está, inclusive descartado”, afirma o delegado Garcia.
 
As investigações, segundo ainda o titular da DHPP, estão direcionadas a todas as pessoas ligadas ao jornalista nos últimos anos, que são basicamente mulheres, principalmente namoradas e ex-namoradas, algumas inclusive casadas, cujos maridos foram traídos. “Com certeza os motivos da morte do Auro foi uma ou mais de uma mulher. Agora nós também precisamos comprovar e materializar isso”, concluiu o delegado Garcia.

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