Caso Marielly: 1 ano depois, acusação e defesa esperam interrogatório do cunhado da vítima

23 de maio de 2012 - 20:12 | Postado por:

Um ano depois do desaparecimento da jovem Marielly Barbosa Rodrigues, o caso ainda está envolto em mistério e muitas perguntas.

Acusação e defesa vivem a expectativa do interrogatório de Hugleice da Silva, principal acusado. Indícios revelam que, mais uma vez, ele pode mudar a versão dos fatos.

Marielly Barbosa Rodrigues, de 19 anos, sai de casa, no Jardim Petrópolis, e dá início a um dos casos mais intrigantes da história policial de Mato Grosso do Sul.

A família tomou as ruas em busca de informações sobre a jovem. O Estado inteiro se mobilizou para que o paradeiro de Marielly fosse desvendado.

Depois de mais de 20 dias do desaparecimento, a descoberta de um corpo em um canavial na cidade de Sidrolândia, deu contornos mórbidos ao caso. Marielly estava morta. Era hora de descobrir o culpado.

As investigações revelaram um fato surpreendente, Marielly estava grávida. Também apontaram dois suspeitos, o primeiro, Hugleice da Silva, cunhado de Marielly. O segundo, Jodimar Ximenes, técnico em enfermagem. A princípio, Hugleice negou participação no crime e teve o apoio público da família da vítima. Depois, ele mesmo confessou ter levado a jovem até o salão de beleza onde Jodimar trabalhava, em Sidrolândia, para que fosse realizado um aborto. O procedimento mal sucedido teria provocado a morte. Hugleice também disse ter tido relação sexual com a vítima. Um mês depois da identificação do corpo, ele e Jodimar foram presos.

Um ano depois do desaparecimento de Marielly, os dois acusados pelo crime estão em liberdade.

O processo corre em segredo de justiça na Primeira Vara de Sidrolândia. Está na fase de instrução. Por enquanto, estão sendo colhidos os depoimentos das testemunhas convocadas pela acusação e pela defesa. Os acusados serão os últimos a serem ouvidos. Advogados e promotores vivem a expectativa do interrogatório de Hugleice da Silva. Indícios revelam que, assim como fez diversas vezes durante as investigações, ele pode, mais uma vez, mudar a versão dos fatos.

É o que sugere a reaproximação de Hugleice da família da jovem. O acusado está, hoje, em Alto Taquari, no Mato Grosso, cidade onde também estão vivendo os pais e a irmã de Marielly.

“Posteriormente à saída de Hugleice, ele teve uma conversa muito séria com a família e alinhou os detalhes que levaram a confessar os fatos daquela forma”, explica o advogado de Hugleice, José Roberto Rodrigues da Rosa.

O advogado adota cautela diante da possibilidade do acusado não sustentar a versão que apresentou na época do inquérito policial.

“Eu prefiro aguardar o término da instrução para verificar o que se trouxe de palpável em relação a isso. Até porque, como eu disse, a constante mudança de posicionamento dele em relação a sua participação, ela pode ter vários nuances. A pressão que sofria dentro da carceragem, seja por parte dos policiais, seja por parte da própria repercussão do fato, todo aquele grupo de pessoas em volta dele e a pressão da família”, diz José.

Por enquanto, a estratégia da defesa é questionar a acusação que pesa contra Hugleice, que é a de indução ao aborto, crime previsto na legislação brasileira.

“É preciso olhar com muita cautela, porque este tipo penal, ele requer esta ação, essa instigação, no sentido de que ele teria colocado no íntimo daquela moça a ideia de que deveria praticar o aborto. De um problema de ordem moral, para a prática de um crime, tem um caminho muito longo a ser percorrido”, afirma o advogado.

Um ano depois, ainda pairam muitas dúvidas. Ninguém sabia da gravidez de Marielly? De quem era o filho que ela esperava? O que deu errado no procedimento que resultou na morte dela? A família evita apontar culpados. A avó da jovem, que concordou em gravar sem mostrar o rosto, resume o sentimento da família.

“Todos os dias é triste. A gente amanhece e anoitece pensando no caso de Marielly. Para nós a dor é triste. Cada dia o sofrimento aumenta mais. A saudade de Marielly é grande. Por que fazer tanta maldade com um ser humano igual fez com a Marielly. Ter coragem de jogar um corpo no canavial. Por que fizeram isso? Essa pergunta eu faço pra mim todos os dias. Por que de tanta maldade? Mas eu tenho certeza que Deus vai nos ajudar, que nós vamos descobrir a verdade”, diz a avó de Marielly.

Ao fim da fase de instrução, a juíza decide se Hugleice e Jodimar vão a júri popular. Todo esse processo só deve ser encerrado no primeiro semestre do ano que vem.

Fonte: msrecord.com.br

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Comentários

  1. Sonia Ap. Andrade disse:

    Ainda bem que alguem da familia do pai de Mariele falou que quer justiça, por que parecia que eles estava achando que tava tudo certo. O povo quer ver a justiça e o culpado na cadeia..lugar de pisicopata é preso, afastado das pessoas da sociedade. Ta acontecendo muita violencia contra as mulheres e muito desrespeito. A justiça tem que condenar para dar exemplo para outros safados

  2. carol miranda disse:

    Porque voces da rede de televisão local nao divulgam agora que a principal testemunha a senhora lusimara, voltou atras de seu depoimento na terça feira dia 05-06-2012 em depoimento em juizo dizendo que foi obrigada pela policia a falar que viu o cunhado na casa de jodimar e se retratou em seu depoimento desmentindo tudo

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