Cuiabá e Várzea Grande já teriam mais de 2 mil “bocas” de drogas

12 de novembro de 2010 - 12:32 | Postado por:

Assustada, a comunidade pede ajuda da imprensa para que as denúncias cheguem até à Polícia Federal. Eles temem serem mortos por balas perdidas durante os assaltos que acontecem nos locais onde vendem drogas. Em alguns casos, moradores denunciam a falta de segurança e chegam a denunciar a própria Polícia 

Terror, medo e pânico. São três palavras que estão na boca de moradores de duas cidades praticamente ilhadas pelo surgimento de dezenas de “bocas” de drogas todos os dias. Cuiabá e Várzea Grande teriam mais de duas mil “bocas” de drogas. A Polícia não confirma essa informação, mas também não desmente. O certo, no entanto, é que a população, assustada com tanta violência, começa a apontar os locais onde se vendem drogas. Assustados, muitos moradores também reclamam do aumento do número de viciados, apontados como os principais fomentadores do tráfico de drogas.

Nos últimos dias, pelo menos 30 pessoas ligaram para a reportagem, ou mandaram e-mails dando dicas, inclusive com mapas, pois todos, sem exceção, temem serem vítimas de balas perdidas, pois a “bocas” funcionam, não apenas por viciados, mas principalmente por bandidos que vão lá trocar objetos roubados ou furtados que muitas vezes valem R$ 200,00 por duas cabeças de drogas a R$ 10,00 cada uma. Sem contar, que 70% dos crimes de homicídios estão atrelados a drogas.

Dois moradores do bairro Dom Aquino, por exemplo, apontam “bocas” localizadas próximo à caixa dágua, segundo eles, movimentadas a base de troca de objetos furtados ou roubados, cotados a menos de 5% do valor real da mercadoria. Mais o pior, no entanto, segundo a reportagem apurou, é o risco que as pessoas que moram próximo correm todos os dias e todos os minutos.

De dia ou de noite, viciados de todas as classes sociais, entre eles bandidos de alta periculosidade, correm para as “bocas” espalhadas pelos becos e ruas dos bairros Pedregal e Jardim Leblon. Os moradores dessas duas regiões também não escondem o medo, pois segundo eles, as “bocas” causam verdadeiro terror à comunidade, sem contar que colocam a vida das pessoas em risco.

A mesma rotina do medo e do pânico vivem os moradores dos bairros do Porte, Verdão, Coophamil, Santa Isabel, Santa Amália. Os moradores reclamam
da ausência da Polícia. Alguns chegam a citar que os donos de “bocas” pagam para receberem proteção policial.

“Não posso confirmar que os policiais recebem para dar segurança às bocas e não aos moradores. Mas também eu não entendo porque a eles
vem por aqui. Fazem rondas, mas nunca mexem os traficantes. Uma vez ou outra eles (os policiais) levam um viciado, mas logo ele está de volta ao mesmo local”, lembra uma moradora do bairro Coophamil.

Moradores da Morada da Serra, Planalto, 1º de Março e Dr. Fábio também não cansam de reclamar sobre o aumento quase que diário, segundo eles,
do surgimento de novas “bocas” de droga. Como uma das mais populosas, a região da Grande Morada da Serra que deve concentrar mais de 100 mil habitantes, também é uma das mais procuradas por viciados e bandidos para comprar drogas.

“Olha, por aqui tem tanta boca de droga, que fica até difícil da gente apontar apenas uma. Agora de uma coisa eu tenho certeza, Cuiabá e Várzea Grande vão acabar batendo recorde de venda de droga, pois são duas cidades ainda pequenas, mas que já registrar uma quantidade infinita de “bocas”, muitas montadas uma ao lado da outra”, ironize uma comerciante da Morada da Serra.

O comerciante cita, por exemplo, que o maior problema não é apenas a venda de droga, mas sim a falta de segurança, pois a cada dia que passa, tanto surgem mais “bocas”, como mais viciados, hoje praticamente intocáveis.

“Assim como o receptador fomenta os crimes de roubo e furto, os viciados fomentam o tráfico de drogas. Temos que combater o tráfico com rigor, pois ele destrói famílias. Mata pessoas inocentes, inclusive os próprios viciados, mas também temos que começar a pensar num projeto para diminuir o índice de pessoas, a maioria jovens envolvidas no uso de drogas. Elas também se transformam em bandidas, inclusive roubando seus próprios pais. Caso contrário, os números de bocas vão continuar aumentando, até para atender o consumo, que é muito. A apinião é de um delegado de Polícia aposentado que pediu para não ser identificado.

DESESPERO

Moradores denunciam “boca”,
pois temem serem mortos
por balas perdidas

A indignação toma conta de uma comunidade inteira. Os apelos são constantes, e nunca ninguém, sequer foi ao local para saber o que estava acontecendo. Tudo por causa de uma “boca” de drogas, onde o dono usa uma das filhas para “trabalhar” no tráfico feito na frente de crianças. Tráfico que assusta os moradores, que estão com medo, pois são obrigados a expor suas vidas. Eles afirmam que correm risco de serem mortos por balas perdidas porque os viciados andam armados, furtam e fazem assalto. “A Polícia sabe e não faz nada porque recebe para dar proteção à boca e aos bandidos”, desabafa um morador em um e-mail dramático.

A “boca”, segundo a reportagem apurou, fica localizada na Rua Santa Isabel, no bairro Santa Isabel. O local, segundo ainda constantes denúncias, é famoso, pois é bem freqüentado por gente, tanto da alta, como usuários classificados como pé de chinelos.

“O dono da boca, um comerciante conhecido na região, vende e troca drogas por objetos roubados. E objetos roubados ele vende por lá mesmo, no bar dele, e na casa dele que fica ao lado. A filha dele vende drogas nos fundos da casa. Estamos vivendo em um inferno. Todos os dias bandidos estão por aqui, roubando e usando drogas na frente das pessoas, inclusive de crianças, expostas ao perigo de levar um tiro”, desabafa um morador da rua mais abaixo.

Revoltado, outro morador manda o seguinte e-mail. “Estou denunciando que no bairro Santa Isabel, em Cuiabá, na Rua do mesmo nome, tem um famoso bar conhecido das autoridades, onde o dono bar que é apenas de fachada, pois na realidade lá é uma boca e também um ponto de receptação de objetos roubados. Precisamos que a imprensa nos ajude, pois a Polícia não faz nada”, desabafa uma moradora. 

Ainda mais revoltada, uma senhora, mãe de duas crianças, não esconde o medo de levar um tiro de bala perdida, e desabafa: “O dono do bar nunca é fiscalizado porque tem um acordo com a Polícia. Aliás, isso é verdade, porque nós já fizemos várias denúncias, inclusive à Polícia, e o local nunca foi investigado”, denuncia.

Os moradores afirma, que a “boca” localizada na Rua Santa Isabel, no bairro do mesmo nome, além de vender a droga, o dono também alicia as pessoas que se tornam usuárias. Além do que, no local existem crianças, que também não são respeitadas, pois o tráfico é feito na frente delas.

“Pelo amor de Deus nos ajude. Precisamos que a Polícia Federal interfira e coloque um fim na impunidade do dono dessa boca frequentada por pobres e ricos. Que usem suas drogas, mas que não coloquem nossas vidas, principalmente as vidas de nossas crianças em risco como acontece atualmente”, apela um morador. (JRT).

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