Do inferno ao céu em 21 minutos: a saga de André Lima no Olímpico

3 de fevereiro de 2011 - 12:47 | Postado por:

O tempo prega peças dentro das quatro linhas do gramado. No futebol, um segundo pode durar uma eternidade para quem quer manter a vitória e um piscar de olhos para quem ainda a persegue. Mas, e para quem perdeu um gol com as redes a sua frente sem nenhum adversário para defender? Pergunte a André Lima. Ou melhor, pergunte à sua camisa. O atacante não percebeu, mas o período exato em que seria levado do inferno ao céu no Olímpico estava determinado antes mesmo do duelo contra o Liverpool-URU começar. Dos 16 aos 37 do primeiro tempo, 21 minutos separaram a frustração da alegria do camisa 21.

O cronômetro parou para André Lima dezesseis minutos depois do apito inicial em Porto Alegre. Com o placar ainda zerado, o atacante teve a clara chance de marcar o primeiro gol do Tricolor e abrir o caminho para a conquista da vaga na Libertadores, alcançada com a vitória, de virada, por 3 a 1. Mas ele falhou. Após receber o cruzamento de Lúcio e ver o goleiro Matias Castro sair errado para alcançar a bola, o camisa 21 chutou para fora. Nem ele acreditou no que tinha feito. Em sua cabeça, os dez segundos em que ficou parado, agarrado à trave, duraram uma eternidade.

– Quando o gol está tão fácil, você já está pensando na comemoração. Quando vi a bola passar pelo lado, não acreditei. Fiquei ali uns dez segundos esperando o estádio cair na minha cabeça. Pode botar três Olímpicos lotados – descreveu o jogador, logo após a partida.

andre lima gol grêmio x liverpool uruguai (Foto: EFE)André Lima comemora 21m depois (Foto: EFE)

E o pior é que não foi apenas André Lima que antecipou a comemoração do gol perdido. Assim que deu o passe, Lúcio começou a festejar. Então, ouviu um apito e viu a bola longe da rede. “Será que marcaram impedimento?”, pensou ele, já se encaminhando para reclamar com o árbitro. Foi em vão. Teve de ouvir o que não pensava ser possível. Não havia nada a ser marcado além do tiro de meta para o Liverpool-URU.

– Saí pra comemorar com a torcida e só escutei o apito – contou Lúcio na volta ao gramado para a disputa do segundo tempo.

Enquanto a frustração tomava conta do time do Grêmio, – logo em seguida, Alfaro anotou para os uruguaios – André Lima tentava recuperar a confiança. Ao ver que a torcida tricolor o tinha apoiado, buscou força e voltou a tentar o objetivo. E alcançou. Exatamente 21 minutos depois de perder o gol, o atacante recebeu lançamento de Fábio Rochemback e, dessa vez, cabeceou para dentro da rede.

– Logo depois a torcida me apoiou, e eu vi que tinha credibilidade. Pedi a Deus para me dar outra chance, e ela apareceu. Eu vi o fim do poço. Depois fiquei lá em cima de novo – comemorou.

Dia da caça, outro do caçador

Depois de perder o gol no primeiro tempo, André Lima soube das brincadeiras de Renato Gaúcho. Com a vitória garantida, o técnico do Grêmio disse que marcaria de olhos vendados naquele lance, fazendo o gesto de subir a camisa aos olhos para ilustrar. O atacante aceitou a provocação, e só lamentou ter que “escutar ele falar isso durante a semana toda”.

Mas Renato também tem teto de vidro. No último Jogo das Estrelas, organizado por Zico, ele recebeu um cruzamento de Túlio e tentou marcar de calcanhar. Sem goleiro, mandou para fora e perdeu a chance de comemorar. Restou apenas levantar os braços em protesto contra a marcação de impedimento.

Até mesmo o próprio André Lima já viveu seus dias de dar puxões de orelha. Em outubro de 2010, já nos acréscimos da goleada do Grêmio por 4 a 0 sobre o Grêmio Prudente, Jonas recebeu passe de Douglas e, de frente para o gol, chutou para fora (assista ao lance no vídeo acima, aos 9m25s). Depois da partida, o camisa 21 reclamou do companheiro: “Ele tem crédito, mas não pode perder. Tem que ter atenção”. Realmente, o tempo prega peças em André Lima.

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