Governador quer mudar o nome de Mato Grosso do Sul

31 de janeiro de 2011 - 10:10 | Postado por:

 

A mudança do nome de Mato Grosso do Sul já é considerada assunto prioritário na agenda política das autoridades do vizinho Estado. Depois de secretários de Estado e deputados manifestarem revolta com as constantes comparações entre essa unidade da Federação e Mato Grosso, até o governador André Puccinelli (PMDB) resolveu entrar diretamente na discussão.

Com efeito, em entrevista ao portal viamorena.com.br, no fim da semana que passou, o peemedebista afirmou que aceita rediscutir a mudança de nome do seu Estado. Pucccinelli revelou que vai colocar o assunto em discussão e pediu sugestões sobre critérios de ouvir a população, admitindo que aceita, até mesmo, a ideia de realização de um plebiscito.

“[Um plebiscito] pode ser um dos métodos. Pode apresentar, liminarmente, uma ideia melhor que essa. Na época, foi pesquisado e surgiram os ícones que não queriam a mudança do tradicional. Vamos discutir. Dêem sugestões”, disse o governador ao site.

Como MidiaNews revelou, uma mudança do nome de Mato Grosso do Sul voltou à pauta depois de uma gafe da Rede Globo, em um diálogo da novela “Insensato Coração”. Uma conversa entre as personagens Luciana (Fernanda Machado) e Pedro (Eriberto Leão) deu a entender que a cidade sul-mato-grossense de Bonito, a mais importante riqueza turística da região, estaria localizada em Mato Grosso.

Não é a primeira vez que o autor Gilberto Braga troca as bolas em relação aos dois Estados. Em 2004, durante a exibição de um capítulo da novela “Celebridade”, a personagem de Malu Mader, em um diálogo, também sugeriu que iria para “Bonito, Mato Grosso”.

Na semana passada, o deputado estadual Paulo Duarte (PT) disse que a solução para que a Rede Globo aprenda, de uma vez por todas, a não confundir o nome de Mato Grosso do Sul com seu Estado irmão seria o Governo estadual cortar as verbas publicitárias destinadas à emissora. 

O secretário de Turismo de Bonito, Augusto Mariano, disse que sua cidade e o Pantanal são mais conhecidos no Brasil e no mundo que o nome de Mato Grosso do Sul, e isso é complicado para o Estado.

“O que deve ocorrer é um debate, sem focar emoções ou saudosismos, onde vamos analisar os prejuízos da confusão entre os estados irmãos, aí depois podemos pensar na mudança de nome”, disse.

A proposta de mudança do nome de Mato Grosso do Sul, na verdade, foi levantada na gestão de Zeca do PT, como governador do Estado. Desengavetada, a idéia ganhou apoio do governador André Puccinell e do prefeito de Campo Grande, Nelson Trad (PMDB). Também mereceu o apoio da maioria dos deputados estaduais, do senador Delcídio Amaral (PT) e de várias entidades ligadas a setor produtivo do Estado.

Velha rixa

A campanha pela mudança do nome de Mato Grosso, em verdade, é antiga, mas ganhou ênfase em maio de 2010, quando a Fifa anunciou Cuiabá entre as 12 cidades que sediarão jogos da Copa do Mundo de 2014.

A “briga” para ser sede do Mundial trouxe à tona uma velha rivalidade entre Cuiabá e Campo Grande. Historicamente, as duas cidades travam batalhas, tanto no aspecto político quanto geográfico. Dizem que brigam, até mesmo, para saber quem tem o Pantanal mais bonito.  O fato de o Governo Federal decidir que uma das sedes seria no Pantanal reacendeu a rivalidade entre os dois Estados, que, até 1977, quando foi criado o Mato Grosso do Sul, eram um só. 

A disputa era acirrada, principalmente pelo legado deixado pelo Mundial. A cidade escolhida vai herdar com a Copa de 2014 um estádio moderno, novas avenidas, hospitais e rede hoteleira, além de explorar a imagem como centro turístico. 

Nos meses que antecederam a escolha das 12 sedes da Copa, Campo Grande e Cuiabá, definitivamente, entraram em guerra. Tanto uma coma a outra, por meio de seus representantes legais, revelavam confiança sobre a escolha da sede do que se convencionou chamar de “Copa do Pantanal”. Curiosamente, no meio dessa guerra, reportagens de publicações especializadas em assuntos esportivos – casos do jornal Lance e da revista Placar – davam como certa a escolha de Cuiabá.

Em mais de uma oportunidade, o prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), afirmou que as reportagens não passavam de “meras especulações da mídia” e apostava que sua cidade seria a escolhida. “Temos uma infraestrutura melhor que as outras cidades. Todo mundo que nos visita nos elogia e sabe que estamos muito mais preparados que nossas concorrentes diretas. Se for pela questão técnica, não tenho dúvidas de que Campo Grande está dentro”,  disse Trad, em entrevista.

Em abril, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, chegou a vestir a camisa da campanha de Campo Grande pela Copa de 2014, após a viagem inaugural do Trem do Pantanal. 

Estratégia errada

O Governo de Mato Grosso do Sul contratou o renomado marqueteiro Chico Santa Rota para a campanha visando à Copa. O trabalho começou de forma agressiva, com comparativos com a capital Cuiabá e com Mato Grosso. “Se você entrar em bola dividida com a canela mole quebra a tua, não quebra a dele. Pode ser que a nossa quebre, mas não por vontade nossa. Tem que entrar rasgando”, havia declarado o governador André Puccinelli, no dia 26 de janeiro de 2010.

Um dos indicadores explorados foi o da violência, mostrando que Mato Grosso ocupava, em 2007, o 2º lugar no índice de mortes violentas na Pesquisa de Registro Civil mais recente do IBGE, enquanto Mato Grosso do Sul estava na 11ª posição. Foram explorados ainda o fato de Mato Grosso do Sul concentrar a maior área do Pantanal, cerca de 70%, e de Campo Grande ter população maior que Cuiabá.

Até mesmo a briga política entre o então governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), e o então prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), foi usada como argumento.

Mas, no meio do percurso, a estratégia mudou. Nélson Trad reconheceu em entrevista que os comparativos estavam desagradando o comitê organizador do evento. Desde então, Campo Grande passou a falar mais sobre ela mesma. Talvez já fosse tarde ou o destino já estava selado e ele não sabia.

No dia 31 de abril de 2010, o presidente da Fifa anunciou a escolha das 12 sedes do Mundial 2014. Entre elas, Cuiabá, para desespero dos sul-mato-grossenses.

 “Foi tapetão”, afirmou, categórico, o governador André Puccinelli (PMDB) sobre a decisão da Fifa, de excluir Campo Grande da Copa 2014. “Cumprimos os critérios técnicos, o Pantanal é no Estado, o legado da Copa seria para os universitários, a Folha de São Paulo mostrou que temos 2 mil leitos a mais que Cuiabá”, citou o governador, durante entrevista ao jornal “Bom Dia, MS”, da TV Morena (Rede Globo), no dia 1º de maio. “Foi tapetão, foi politicagem e disseram que não haveria politicagem”, lamentou.

Conforme o governador, Campo Grande já ultrapassou Cuiabá e, agora, será a vez de trabalhar para Mato Grosso do Sul ultrapassar Mato Grosso. “Temos o desafio, a honra ferida”. E complementou: “Se nos tiraram a Copa, não nos tiram o Pantanal”.

A manga

“Tchupa esta manga, Campo Grande! A Copa é nossa…” A frase, dita pelo então prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), e que começou como uma brincadeira, durante a comemoração pela escolha mato-grossense para sede uma das sedes do Mundial 2104, fez aflorar a velha rixa entre campo-grandenses e cuiabanos.

A verdade é que o governador André Puccineli e o prefeito Nelson Trad se recusam a engolir a fruta.

Com reportagens dos sites Midiamax e Campo Grande News

 

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