Major da PM é indiciado por morte de suspeito no Bairro CPA

13 de janeiro de 2017 - 17:08 | Postado por:

cc12836d0ce3a02d2196b489ba23ce26O major da PM Waldir Félix de Oliveira Paixão foi indiciado por homicídio qualificado pela morte do jovem André Luiz de Oliveira, de 28 anos, acusado de assassinar o soldado da Polícia Militar Élcio Ramos Leite, de 29.

 

O major, que atuava no Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), confessou o crime, mas alegou ter agido em legítima defesa.

 

Os crimes ocorreram na tarde do dia 2 de agosto do ano passado, no setor cinco do Bairro CPA III, na Capital.

 

O soldado Élcio, que atuava no Núcleo de Inteligência da Polícia Militar (PM), no 24º Batalhão, foi morto com um tiro na cabeça na residência da família de André, onde funciona uma distribuidora de água e gás.

 

Cerca de uma hora depois, André seria morto em um suposto confronto com a PM.

 

No entanto, registros feitos pela imprensa mostram André se rendendo ao parceiro do soldado Élcio. Depois, ele é levado para o fundo de uma residência vizinha, de onde saiu morto, o que levantou suspeitas de que houve uma execução.

 

O inquérito foi finalizado pelo delegado Alexandre Vicente e encaminhado ao Ministério Público Estadual (MPE).

 

De acordo com o promotor de Justiça Jaime Romaquelli – responsável pelo caso -, as investigações já concluíram se o major realmente agiu em legítima defesa ou se o caso se trata de uma execução.

 

Porém, o promotor não pode dar detalhes sobre o processo, que corre em segredo de Justiça.

 

“Ele [major Félix] fala que atirou porque o rapaz estaria com a arma na mão e ele teria agido em legítima defesa”, disse Romaquelli.

Ednilson Aguiar/MidiaNews

Jaime Romaquelli

O promotor de Justiça Jaime Romaquelli, responsável pelo processo

 

Segundo o promotor, nesta fase, o Ministério Público Estadual atua para oferecer denuncia contra o major ou pedir o arquivamento do processo, conforme os esclarecimentos das investigações.

 

“No dia 31 de janeiro nós vamos protocolar toda a documentação e tornar público o que de fato aconteceu. A partir daí essa peça entra na fase judicial”, acrescentou.

 

Morte de soldado

 

A morte do soldado Élcio Ramos Leite resultou na prisão de Carlos Alberto de Oliveira Junior, de 30 anos, suspeito de ter participado do assassinato da vítima. Carlos é irmão de André Luiz de Oliveira.

 

O caso aconteceu quando o soldado Élcio e o policial Wanderson José Saraiva, que atuavam no Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, foram até a residência onde estavam André e o irmão. Os PMs investigavam a venda ilegal de armas pela internet.

 

No dia 31 de janeiro nós vamos protocolar toda a documentação e tornar público o que de fato aconteceu

O soldado Élcio foi assassinado com um tiro na cabeça após um suposto confronto.

 

Carlos Alberto responde por homicídio qualificado, tentativa de homicídio (praticada contra o parceiro do PM Élcio) e posse ilegal de arma. Ele deverá ser submetido a júri popular.

 

De acordo com denúncia do Ministério Público Estadual, apesar de não ter sido o autor dos disparos, Carlos Alberto seria o responsável por imobilizar Wanderson José, facilitando para que o seu irmão, André Luiz, atirasse contra a Élcio.

 

Relembre o caso

 

Na tarde do dia 2 de agosto, os soldados Élcio e Wanderson José foram designados para uma diligência no bairro CPA II, em Cuiabá, a fim de investigar uma suposta comercialização ilegal de armas de fogo.

 

Os militares – que eram lotados no Setor de Inteligência do 24ª Batalhão – marcaram um encontro com os suspeitos do crime, os irmãos André Luiz Alves de Oliveira e Carlos Alberto de Oliveira Júnior, fingindo serem pessoas interessadas em comprar a arma.

 

No local, teriam sido orientados pelos irmãos a acompanhá-los até o local onde a arma estaria guardada.

 

Ao chegar à casa, entretanto, teria ocorrido uma “discussão” entre eles. O PM Élcio Ramos acabou sendo assassinado por André Luiz.

 

O caso mobilizou centenas de policiais militares e civis. Logo depois, André Luiz apareceria morto.

 

Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), o assassino do militar teria reagido à prisão. O corpo dele, porém, apresentava marcas de espancamento.

 

Outro lado

 

A reportagem tentou contato com a PM, mas até o fechamento desta edição não obteve retorno.

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