Mato Grosso registra aumento de 581% nos focos de queimadas

11 de novembro de 2010 - 11:09 | Postado por:

De janeiro até quinta-feira, pelo menos 246.820 focos de calor foram registrados por todos os satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em Mato Grosso. Com isso, o Estado lidera a lista das localidades que mais “queimaram” no ano até o momento. O Pará aparece em segundo (152.267 focos) e Tocantins, em terceiro (120.874). O dado é preocupante se levar em consideração as altas temperaturas registradas no período e ainda a baixa umidade – que colocou a população em condições piores que no deserto.

O número, de acordo com o Inpe, é aproximadamente 581,2% superior ao contabilizado durante o mesmo período do ano passado. Na ocasião, foram registrados, pelos mesmos satélites, 36.228 focos de calor e Mato Grosso ficou em segundo lugar no ranking dos que mais queimaram. Nesta oportunidade, o Pará liderou com 49.231.

Somente no mês passado, foram 28.639 focos identificados. Cocalinha foi a cidade com maior incidência (1.637). Poconé aparece em seguida (1.063) e Nova Ubiratã, em terceiro (1.034). Já em 2009, foram 6.520 focos.  No país, os focos de queimadas ultrapassam 992,3 mil no ano.

As queimadas, em verdade, ainda não deram trégua. Entre os dias 01 a 31 de outubro, satélites ambientais apontaram 4.670 focos de calor em Mato Grosso. No mesmo período do ano passado, Mato Grosso registrou 1.733 focos de queimadas. Ou seja, a alta no número de focos de queimadas registradas nos últimos meses no estado (período mais crítico de seca) continuou durante outubro mesmo com a ocorrência de chuva. Oito municípios concentraram mais de 100 focos de queimadas, sendo que, Nova Ubiratã, lidera a lista, com 204.

O prenúncio de que este ano a seca iria causar estragos fora mostrado já em julho. O fogo avançou sobre o morro de Santo Antônio, perto de Cuiabá, e assustou os moradores. Cuiabá quase desapareceu em meio a tanta fumaça que vem das queimadas. Já ali, as queimadas no Estado já eram  responsáveis por mais gases poluentes do que todo o estado de São Paulo. São milhares de incêndios registrados, a maioria provocada pelo homem. Em Tangará da Serra, os agricultores combateram por nove dias seguidos o  fogo que avançou sobre as propriedades.
Um dos pontos altos das queimadas aconteceu em agosto. Um incêndio atingiu a cidade de Marcelândia, no norte de Mato Grosso, destruiu cem casas e 16 madeireiras. Segundo a prefeitura, 80% do setor industrial de Marcelândia foram atingidos. O incêndio teria vindo de área de pastagens. Em menos de dez horas, além de 16 empresas, cem casas de operários foram queimadas.

O histórico do período de estiagem no Estado apontam dados preocupantes, que exigem ação firme por parte dos órgãos governamentais – seja na conscientização da população ou na punição aos responsáveis pelos efeitos das queimadas. Em agosto, por exemplo, , Cuiabá entrou em estado de emergência devido à baixa umidade relativa do ar, atingindo a marca de 11%. A Organização Mundial de Saúde estabelece que 30% da umidade relativa do ar já pode ser considerado estado de atenção; abaixo dos 20% é considerado estado de alerta e abaixo dos 12%, estado de emergência.

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