MT tem dificuldade para fechar acordo sobre carnes com Rússia

6 de agosto de 2011 - 09:54 | Postado por:

O governo brasileiro está cada vez mais longe de um acerto com os importadores de carne da Rússia – o maior cliente do País nesse segmento, mas que impôs desde 15 de junho embargo à compra de produtos provenientes dos Estados do Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná.

Nesta quinta-feira, 4, o Ministério da Agricultura enviou um novo documento às autoridades sanitárias russas reforçando as propostas brasileiras já feitas aos importadores de carnes no início do mês passado. Não há, no entanto, uma data prevista para uma resposta por parte dos compradores. “Estamos reiterando o pedido. E aguardamos análise e resposta desses documentos”, disse o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Luiz Carlos de Oliveira. “Não há sinalização de prazo para resposta”, admitiu.
No documento, o governo solicita mais uma vez o fim do embargo aos três Estados. “Infelizmente, isso não foi suspenso. Mas os demais (Estados) continuam exportando normalmente”, considerou o diretor. O Brasil quer também ter acesso aos laudos de análise mencionados pelos importadores. “Nos enviaram um e-mail explicando que haveria um anexo com 76 folhas, mas não sabemos se houve problema na transmissão do e-mail”, relatou Oliveira. Segundo ele, apenas de posse das informações, o governo brasileiro poderá atender às possíveis novas demandas russas. 
Além disso, a carta enviada hoje pede que o país considere a sugestão brasileira apresentada em reunião em Moscou, no dia 6 de julho. Pela proposta, o governo brasileiro cancelaria a lista atual de 240 plantas credenciadas e passaria a considerar 88 unidades aptas a exportar. Faz parte da sugestão também uma lista paralela de 37 estabelecimentos, que teriam alguns empecilhos no momento (como a falta de análises laboratoriais), mas que teriam essas pendências sanadas até o final de setembro, segundo o governo.
Ocorre que no dia 28 de julho o governo russo enviou uma mensagem ao Brasil dizendo que descredenciaria essas 37 unidades temporariamente, o que pegou o governo de surpresa, já que a sugestão de plano B levaria em conta o aval imediato das 88 unidades. “Eles cumpriram isso, mas de forma parcial, anunciando uma só das listas. Isso foi diferente das nossas expectativas”, avaliou.
Até que essa situação não esteja resolvida, o Brasil quer que os importadores passem a considerar a data de 2 de agosto para o embargo aos produtos desses 37 estabelecimentos, e não de 6 de julho, conforme divulgou a Rússia. Isso evitaria problemas com os produtos já remetidos ao exterior. O diretor garantiu, no entanto, que não há risco de se perder o volume exportado. “Isso já ocorreu em outros casos –  até com a própria Rússia. Quando não há risco de contaminação, normalmente são aceitos os argumentos, e também a carne”, explicou.
No documento, o governo brasileiro pede ainda o início de um grupo de trabalho composto por técnicos dos dois países para que cheguem a um consenso sobre interpretações de questões sanitárias. “Estamos prontamente fornecendo todas as informações solicitadas pelos russos”, disse o diretor.
Apesar de o imbróglio se arrastar há três meses, com missões dos dois países fazendo visitas ao outro lado e troca de documentos, Oliveira disse que ainda espera um resultado positivo de toda essa negociação. “Estamos confiantes que entendimentos sejam possíveis nos próximos dias e fizemos aquilo que nos cabe”, afirmou. “Quero deixar claro: o governo brasileiro é extremamente ágil em dar respostas. O governo russo foi extremamente cortês com o Mapa (Ministério da Agricultura) e esperamos que reunião com laboratórios possa ocorrer”, continuou.
Caso as negociações não avancem, o Brasil ainda tem uma carta na manga, que é a visita, prevista para a segunda quinzena de outubro, do diretor da autoridade sanitária russa, Sergei Dankvert, ao País. “Entendimento entre os parceiros é fundamental”, avaliou. Nos bastidores, técnicos comentaram que muitas vezes um impasse internacional só é dissolvido quando as partes se encontram pessoalmente. E com a Rússia, não seria diferente. 

Novo embargo
O novo embargo russo à carne do País, anunciado na semana passada, considera a inclusão de 37 plantas listadas pelo próprio governo brasileiro, além das 89 localizadas nos Estados de Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Paraná. O envio de produtos dessas origens para a Rússia está suspenso desde 15 de junho. Apesar do aumento do número de unidades, o governo garante que não houve ampliação do volume de embargo ao País. “Não houve aumento de embargo”, afirmou o diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Luiz Carlos de Oliveira. “Só que dos que estavam embargados, ninguém foi liberado”, continuou. Ele acrescentou que todo esse imbróglio com o maior importador de carne brasileira afetou mais o setor de suínos. De acordo com o diretor, as exportações de bovinos e aves continuam ocorrendo normalmente nos estabelecimentos habilitados.
Numa entrevista coletiva bastante confusa, Oliveira se recusou a apresentar números a respeito do assunto, alegando que eles não seriam importantes neste momento. “Sei que os números são fundamentais para vocês (jornalistas), mas para nós (isso) não é tão importante”, argumentou. O diretor também rebateu críticas de que o governo acabou dando um tiro no pé ao tentar usar a lista paralela de 37 estabelecimentos como moeda de troca para que a Rússia aceitasse a nova listagem de 88 frigoríficos credenciados a exportar para aquele país. Atualmente, há cerca de 240 estabelecimentos habilitados, mas nem todos seguem na atividade de venda para os russos. “Não houve moeda de troca e não houve ação desastrosa. Ao contrário”, afirmou.
Oliveira disse que não tem informação sobre quantos contêineres de carne e que têm como origem as novas plantas suspensas foram enviados à Rússia. “Isso vocês (jornalistas) têm que perguntar para as empresas”, desconversou. Ele garantiu, no entanto, que as companhias sabiam que o governo colocaria os estabelecimentos nessa nova lista. “Aguardávamos, porém, que (os russos) aceitassem a nossa proposta, por isso não suspendemos as exportações dessas empresas de imediato”, justificou.
No dia 29 de julho, os importadores mandaram uma carta dizendo que a restrição a esses estabelecimentos valia a partir do dia 6 de julho. “Nós não adotamos essa data porque aguardávamos a resposta. As empresas não tinham nossa restrição, mas no momento que a autoridade russa falou nós também suspendemos a emissão de certificado sanitário”, explicou. O governo quer, no entanto, que a data que passe a valer é a do dia 2 de agosto, quando o Brasil foi notificado oficialmente da suspensão.
O diretor voltou a dizer que não havia motivo para os russos indicarem esses 37 estabelecimentos. “Muitos deles têm condições técnicas e operacionais. Estavam em averiguação, especialmente relacionados a exames laboratoriais, e foram considerados como restrição temporária”, argumentou.

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