Promotor faz alerta à Ferrari e diz que jogo de equipe no GP do Brasil pode terminar em prisão

4 de novembro de 2010 - 18:19 | Postado por:

Paulo Castilho lembra que Estatuto do Torcedor prevê seis anos de detenção por fraude

Às vésperas do GP do Brasil de Fórmula 1, que será disputado no próximo domingo (7), em São Paulo, o mundo do automobilismo vive uma situação inédita: a possibilidade de pilotos e membros de equipes serem presos após a corrida. Isto é o que acredita o promotor Paulo Castilho, do Juizado Especial Criminal da capital paulista.

O Estatuto do Torcedor prevê a prisão por até seis anos para quem fraudar eventos esportivos. Segundo o promotor, um possível jogo de equipe da Ferrari para favorecer o espanhol Fernando Alonso – que tem chances de se sagrar campeão antecipado em Interlagos – se enquadraria na legislação. Com isso, a corrida poderia terminar com corredores e outros integrantes da escuderia algemados.

– No Brasil é considerado crime [jogo de equipe]. Não só para o Felipe Massa, mas para qualquer piloto e chefe de equipe. Se no resto do mundo essa prática odiosa frustra a expectativa do torcedor, aqui no Brasil não mais. Tem que sair preso de Interlagos se acontecer.

Castilho ganhou destaque ao fazer o projeto que alterou o Estatuto do Torcedor, que tornou crime as fraudes e a violência em jogos de futebol e outros eventos esportivos. O promotor destacou que a possibilidade de uma manipulação no resultado da corrida deste domingo deve ser coibida.

– Estatuto do Torcedor não se restringe ao futebol, é para qualquer modalidade esportiva. O torcedor está lá, torcendo pelo Felipe Massa, e ele simplesmente recebe uma ordem do engenheiro-chefe “deixa o Alonso passar”. Isso não é feito às escondidas, é escancarado. E configura crime. A autoridade policial tem o dever legal de agir.

A alteração no Estatuto entrou em vigor no dia 28 de julho deste ano. Para lembrar as autoridades sobre a nova legislação, Castilho promete conversar com os policiais que ficarão responsáveis pelo GP.

– Vou verificar quem é o delegado que estará de plantão para lembrá-lo dessa operação legislativa, que é recente. Tem que ter indícios de materialidade. Se o carro não quebrou, não teve falha e recebeu ordem da equipe para deixar passar, é flagrante.

A hipótese de ver um piloto estrangeiro preso na corrida do Brasil parece não intimidar o promotor.

– Se for estrangeiro, pior ainda, porque qual a garantia que ele vai voltar quando o processo terminar pra cumprir pena?

O assunto sobre a punição criminal para o jogo de equipe na F-1 veio à tona nesta quinta-feira (4) quando Castilho defendeu, em entrevista à colunista Mônica Bergamo, no jornal Folha de S. Paulo, que Felipe Massa e integrantes da Ferrari saiam algemados do circuito se repetirem a atitude do GP da Alemanha deste ano. Na ocasião, o brasileiro cedeu a posição para Alonso vencer a corrida.

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