Rivalidades regionais entram em campo, e Brasileirão ganha novo líder

22 de novembro de 2010 - 09:46 | Postado por:

Nesta 36ª rodada, a antepenúltima, o Fluminense fez a alegria dos torcedores do time que goleou. Louco, não? Não, apenas reflexo de um aspecto cultural do futebol brasileiro. No país de dimensões continentais, impedir a alegria do vizinho ainda conta mais do que quase tudo para o torcedor. E as rivalidades regionais insistem em entrar em campo como protagonistas no Brasileirão. Aplaudido pelos são-paulinos em Barueri, o Flu  tomou a liderança do Corinthians e ficou mais perto de um título que não ganha há 26 anos. Com todos os méritos, impulsionado por dois gols do favorito disparado em qualquer eleição do melhor jogador da competição: Conca.

Não é mole, não! Até com esse timinho, o Muricy é campeão”
Canto da torcida são-paulina

Mas que foi curioso, foi… Ver a torcida do São Paulo comemorando gol sofrido pelo próprio time é, do ponto de vista esportivo, pra lá de inusitado – mas foi o que aconteceu quando Gum marcou o primeiro gol da partida, enquanto o Corinthians ia batendo o Vitória, em Salvador. Outra cena ímpar foi a festa ao ser noticiado o gol de empate do baianos, gritos ecoando entre tricolores paulistas e cariocas na Arena Barueri. E depois de definida a goleada do time das Laranjeiras, a torcida mandante ainda improvisou um cântico debochado:

– Não é mole, não! Até com esse timinho, o Muricy é campeão! – vibraram os tricolores do Morumbi.

Os são-paulinos deixaram o estádio com expressão sorridente e despreocupada. No placar, estava lá: 4 a 1 para o Fluminense.

Dentro de campo, porém, houve esforço por parte dos comandados por Carpegiani. É verdade que, durante o primeiro tempo, a marcação do time parecia frouxa, respeitosa feito namoro de portão de antigamente: quase sem contato físico. Mas Rogério Ceni fez boas defesas, Lucas Gaúcho deu muito trabalho… Tanto que colocou em risco a vitória carioca: no segundo tempo, depois de Washington desperdiçar ridiculamente uma chance, o garoto deu um toque de letra na pequena área, a bola bateu em Gum e entrou.

bandeira do são paulo na torcida do fluminenseUnião tricolor em Barueri   (Foto: Paulo Liebert / AE)

Mas logo Xandão seria expulso, por falta em Fred, que partia livre em direção ao gol. E em seguida Richarlyson tomaria o vermelho – em lance que alguns maldosos interpretariam como “pede pra sair”. Ele pode até não ter cometido a falta assinalada pelo árbitro Heber Roberto Lopes, mas não era motivo para dar ataque de pelanca e sair ofendendo o juiz daquela maneira. Com nove em campo, o São Paulo até que demorou para sofrer gol. Mas sofreu um, dois, três… E o líder do campeonato mudou.

Claro que isso só aconteceu porque no Barradão o Corinthians não conseguiu superar o Vitória. Houve quem reclamasse do pênalti que Carlos Eugênio Simon apitou corretamente – mão na bola de Ralf. O técnico Tite foi um deles.  Mas o dia parecia não ser mesmo do Timão. Depois de dar um belo passe para Danilo abrir o placar, Ronaldo caiu sozinho aos 26 minutos de jogo, sentindo uma fisgada na parte de trás da coxa direita. Ficou sem completar a marca “histórica” de sete jogos consecutivos atuando os 90 minutos. Parece mentira, mas desde a Copa de 2002, o Fenômeno não consegue fazer isso…

E por falar em mentira, as pernas curtas do sempre perigoso Jorge Henrique acabaram fazendo falta depois que Tite achou de substituí-lo pelo voltante Paulinho. Logo em seguida, o Flu desempatou o jogo em Barueri, e o Timão teve poucas forças para fazer o mesmo no Barradão. Na melhor delas, Danilo matou com estilo dentro da área, mas isolou.

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