Secretaria de Políticas para Mulheres pede explicações sobre trote na UnB

28 de janeiro de 2011 - 13:26 | Postado por:

O trote sofrido por calouros da Faculdade de Agronomia e Veterinária da Universidade de Brasília (UnB) levou a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República a encaminhar um pedido de esclarecimentos à reitoria da universidade. Dependendo da resposta da universidade, a representação poderá ser encaminhada também ao Ministério Público Federal e ao Ministério da Educação. O documento traz fotos de alunas lambendo lingüiça com leite condensado durante a brincadeira realizada no último dia 11. Segundo a assessoria da Secretaria, a denúncia foi feita por uma aluna que teria sofrido o trote.

O reitor da UnB José Geraldo de Sousa Júnior declarou, em despacho, que “as fotos traduzem atos de violência e discriminação contra as mulheres. Elas mostram a diminuição da dignidade e violam a ética da convivência comunitária”.

O trote envolveu alunos que entraram na faculdade no meio do ano passado. Em entrevista ao G1, o diretor da FAV, Cícero Lopes da Silva, disse que em setembro a direção da faculdade reuniu os estudantes para pedir a não realização dos trotes e alertar os calouros a não participarem de brincadeiras a contragosto.

Trote de alunos de agronomiaTrote de alunos de agronomia (Foto: Luiz Filipe
Barcelos/UnB Agência/Divulgação)

Em julho de 2010, os alunos do curso de agronomia já tinha se envolvido em trotes polêmicos, como andar em fila de “elefantinho”, rodar com a cabeça apoiada em um cabo de vassoura e procurar sabonetes em uma poça de lama e lixo. “A gente faz essas ações, mas fica no nível oficial, de reitoria e diretoria. Na prática, com os estudantes, as coisas fogem ao nosso controle”, dise Lopes. “O problema é que isso vira uma bola de neve. Os alunos que receberam este trote logo vão dar o trote em quem entrar em março.”

Caio Batista, presidente do Centro Acadêmico de Agronomia, disse ter ficado surpreso com a repercussão do caso e desconhece quem pode ter feito denúncia. “Querem criar uma situação de fora para dentro. Este negócio com a lingüiça é antigo, todo mundo conhece e ninguém é obrigado a participar”, afirma, alertando que o Centro Acadêmico não é responsável pela organização do trote. “Já tivemos alunos que não puderam participar do trote em semestres anteriores e vieram aqui participar.” Segundo ele, dos 80 calouros, apenas metade participou da brincadeira.

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