Sete meses após deixar o futebol, Washington admite: ‘Ainda sofro’

16 de agosto de 2011 - 12:03 | Postado por:

Há exatos sete meses e três dias, Washington deixou o futebol. Mas quem disse que o futebol cumpriu sua parte no “trato”? Neste período, o contato com a bola passou a acontecer apenas em peladas com amigos as segundas e sábados, mas a cabeça e o coração, sempre tão valente, seguem entrelaçados com o esporte que consagrou o ex-atacante de Fluminense e Atlético-PR. Entre as (muitas) novas funções, a que mais incomoda é a de torcedor, capaz de ainda causar dor em um “aposentado” que não pode reclamar de não ter o que fazer.

Washington em obras (Foto: Cahê Mota / GLOBOESPORTE.COM)Washington acompanha obra de sua construtora: vida de empresário (Cahê Mota / GLOBOESPORTE.COM)

Ao sair de cena nos gramados, Washington trocou o Rio de Janeiro por Caxias do Sul (RS), onde se desdobra para cumprir uma lista de tarefas. Dono de uma construtora, ele dedica a maior parte do tempo ao papel de empresário, mas arruma brecha na agenda para dar palestras motivacionais, se preparar para ingressar na política nas eleições do ano que vem e, principalmente, ser pai. Tanto compromissos, entretanto, ainda não o fizeram esquecer o futebol.

Quando tem jogos do Flu, do Caxias, ainda dá o baque, a vontade de estar em campo. Mas vou me acostumando, né? O sofrimento é grande. Tento esquecer, mudar o foco”
Washington, ex-atacante

– Ainda estou sofrendo. Quando tem jogos do Fluminense, do Caxias, ainda dá o baque, a vontade de estar em campo. Mas vou me acostumando, né? Tenho tentado me habituar. As coisas da construtora, meus compromissos me ocupam e consigo distrair um pouco. O sofrimento é grande. Ainda fico pensando: “Poxa, podia estar em campo, treinando, jogando”. E se ficar muito com isso na cabeça a pessoa vai se corroendo, o sofrimento só aumenta. Tento esquecer, mudar o foco – disse em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM na cobertura em que vai morar em breve em prédio construído por sua empresa.

A saudade da bola, por outro lado, não implica em arrependimento. Ainda desacostumado mas empolgado com a nova vida, Washington garante que em momento algum nestes sete meses questionou sua decisão.

– Não tenho dúvida nenhuma: fiz a escolha certa. Claro que muita gente fala que eu não devia ter parado, que tinha condição de estar jogando bem ainda… Isso acaba até sendo bom. Pior seria se dissessem que demorei a parar. É algo que conforta e me deixa a certeza que foi no momento certo.

No lugar de jogos, concentrações e gols, são reuniões, obras e encontros partidários que fazem parte do intenso dia a dia do Coração Valente. E o número de tarefas pode aumentar no que depender do Caxias, clube que o revelou e disputa a Série C do Brasileirão.

– A rotina é na empresa. Eu já tenho a construtora há sete anos, mas agora que estou realmente de frente. Antes só vinha nas férias ou quando tinha problemas para resolver rápido. Agora, participo de todas as negociações, de tudo. Tenho acompanhado bem de perto. Há também uns contatos para entrar na política. Tenho tomado conta dos meus negócios, da família, das filhas e vivo a vida. Sempre que posso ajudo o Caxias também, faço palestras. Querem que eu seja gerente, mas ainda estou pensando. Não sei se é o momento.

Paizão vislumbra carreira política e projetos sociais

Washington com a filha em homenagem do Dia dos Pais (Foto: Cahê Mota / GLOBOESPORTE.COM)Washington e filha Ana Carolina em evento pelo
Dia dos Pais (Cahê Mota/GLOBOESPORTE.COM)

Se voltar ao futebol é uma possibilidade, a entrada na política é quase uma certeza. Apesar de ainda não bater o martelo quanto a sua candidatura, Washington deixa escapar que já tem até metas traçadas para nova carreira.

– Estão tentando me convencer a seguir esse caminho. Já fiz contatos com alguns partidos para me candidatar a vereador em Caxias. Tive a oportunidade de entrar nesse ramo também no Rio, mas optei pelo Sul. Aqui que está minha família. Primeiro, vou tentar ser vereador, depois o desejo é disputar para ser deputado estadual.

De todos os compromissos do ex-atacante, o mais simples é o que mais lhe dá prazer. Depois de 18 anos como jogador profissional, Washington celebra o fato de poder se dedicar por inteiro a família, principalmente as filhas Ana Carolina, de 9 anos, e Catarina, de 3.

– Essa é a recompensa, a vantagem. Quando eu jogava, era muito difícil ter um Dia dos Pais ou aniversário com minhas filhas. Agora, estou tendo essa oportunidade. Nisso, eu saí ganhando. São dias especiais, valem como gols. Depois de tudo que passei, fiquei mais emotivo – revelou após chorar em evento em homenagem aos pais na escola da mais velha – Nem lembro a última vez que passei o Dia dos Pais com elas.

Essa é a recompensa, a vantagem.  Nem lembro a última vez que passei o Dia dos Pais com elas”
Washington, sobre proximidade com as filhas

O fim ainda recente da carreira e a agenda atribulada não permitiram que o Coração Valente colocasse em prática o desejo de criar um projeto social voltado para crianças. Enquanto isso não acontece, a colaboração é dada em forma de palestras.

– Vou começar um projeto social. Já participei com palestras do projeto do Jorginho (atual técnico do Figueirense). Recebo muitos convites. O futebol ajuda pela força do esporte e também todos conhecem minha história, né? Sabem o que eu passei. Querem que eu fale em motivação, metas.. Mas também desejo fazer algumas coisas aqui pelo Rio Grande do Sul. Ajudar crianças carentes e colocá-las no esporte.

Todos os projetos e compromissos são conciliados a um papel importante na vida de Washington: o de paciente disciplinado. E para quem estiver preocupado com a saúde do ídolo, o recado é simples:

– Estou 100%, graças a Deus. Está tudo tranquilo. Estava liberado até para jogar.

Jogar não é mais necessário, mas o coração segue sendo valente para dar conta da nada mole vida de aposentado.

Washington com a casa em obras (Foto: Cahê Mota / GLOBOESPORTE.COM)Washington fiscaliza obra em cobertura onde vai morar, em Caxias-RS (Cahê Mota / GLOBOESPORTE.COM)
 

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