Transporte para Copa divide políticos em Mato Grosso

15 de agosto de 2011 - 14:12 | Postado por:

 

O debate envolvendo o modal de transporte para Cuiabá na Copa de 2014 tem dividido a classe política de Mato Grosso, notadamente no âmbito do Senado, onde o Estado tem três representantes.

Responsável pela conquista da Copa do Mundo para Cuiabá, o ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR) é um intransigente defensor do BRT (Bus Rapid Transit). Ele foi o responsável pela assinatura da matriz de responsabilidade com o Governo Federal, quando era chefe do Executivo.

Presidente da Subcomissão de Acompanhamento da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016, que funciona no Senado, Maggi afirmou que não tomaria a decisão de substituir o BRT (Bus Rapid Transit) pelo VLT (Veículo Leve sobre Trilho), em Cuiabá.

“Se fosse o governador, não seria aceita alteração alguma, mas é uma decisão muito particular de quem está gerenciando. Mas, respeito a decisão, o governador é outro. Agora, o desfecho disso deve ser rápido. Uma obra deste porte pode levar até três anos e não há mais o que dialogar. Estamos numa fase de decisão”, afirmou o republicano.

O mesmo ocorre com o senador Pedro Taques (PDT). Estreante na política, sendo eleito para o primeiro mandato em 2010, o pedetista alega estudos técnicos que asseguriam o BRT como melhor opção para Cuiabá.

“O VLT é mais bonito, mais confortável e ecologicamente correto. Porém, não está dentro da nossa realidade. Neste momento, o BRT é mais adequado. Não há capacidade de passageiros suficientes para circular no VLT, além do custo de manutenção ser elevado”, declarou.

Dos três senadores de Mato Grosso, o único que nunca se posicionou a respeito do assunto é o Jayme Campos (DEM). Ele não atendeu às ligações do MidiaNews.

Em defesa do VLT

A bandeira pela escolha do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) começou com a discussão sendo liderada pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual José Riva (PP), responsável pela vinda de técnicos em apresentar dados do sistema de transportes, que é comum em países europeus.

Riva tem declarado publicamente que não tem a pretensão de concorrer nas eleições de 2014. Uma de suas metas seria deixar o legado do VLT em Cuiabá, região na qual, tradicionalmente, tem pouca infiltração.

Deputado estadual que mais recebe votos nas últimas eleições, sua base eleitoral está mais concentrada em municípios do interior de Mato Grosso.

Por trás da implantação do projeto do BRT, estaria uma articulação do ex-presidente da Fifa, João Havelange, que manteria ligação com empresários do setor. Das 12 cidades sedes da Copa do Mundo, 9 optaram pelo BRT.

Efeito desapropriação

Diante da possibilidade de comerciantes das Avenidas Prainha, FEB e Fernando Correa serem prejudicados com as desapropriações, a defesa pela implantação do VLT em Cuiabá ganhou força.

Entidades como CDL (Câmara de Dirigentes Logistas) e Fiemt (Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso) manifestam apoio ao VLT, o que veio a ser confirmada numa passeata que envolveu com mais de 700 pessoas na Avenida Mato Grosso, no dia 9 deste mês.

Dificuldades

O Ministério das Cidades tem assegurado R$ 458 milhões para Cuiabá investir no BRT (Bus Rapid Transit). Por outro lado, não libera a quantia com facilidade para aplicação no VLT.

O governador Silval Barbosa (PMDB) trabalha pelo VLT, alegando que o transporte reduz as desapropriações nas principais avenidas de Cuiabá e Várzea Grande.

Somente em indenização para implantar o BRT, seriam gastos, em média, R$ 1 bilhão para a desapropriação de 1,3 mil imóveis.  

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