MT DECRETA EMERGÊNCIA AMBIENTAL ATÉ NOVEMBRO

27 de abril de 2022 - 08:51 | Postado por:

 

Com o alto risco de propagação de focos de incêndio em áreas rurais, Mato Grosso declarou situação de emergência ambiental entre os meses de maio e novembro. Apesar de a declaração ser uma das medidas preventivas diante do cenário de baixos índices de chuvas e umidade relativa do ar e alta probabilidade de incêndios, especialista afirma que a medida por si só não é eficaz e não vai evitar que o Estado passe novamente por um período difícil.

 

Em Mato Grosso, o período proibitivo do fogo ocorre entre 1º de julho e 30 de outubro. Dados do satélite de referência do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Estado já lidera o número de queimadas com mais de 1.800 focos, ou 25% dos registros no país. Cinco municípios mato-grossenses estão entre os 10 com mais focos no país. O Brasil já soma 7.303 focos de queimadas.

 

Com medidas já previstas no calendário de todos os anos, as ações anunciadas pelo Estado não são suficientes e nem eficazes no combate às queimadas segundo a avaliação do professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o biólogo Romildo Gonçalves. Neste momento, com os decretos, fica permitido o uso de fogo para limpeza e manejo somente em áreas previamente autorizadas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Em zona urbana, as queimadas são proibidas o ano todo. Mas o professor esclarece que o maior problema está na falta de aceiros às margens de rodovias. Nesses pontos, 60% dos focos têm origem.

 

Para esse ano, o professor garante que, assim como já acontece em outros países, o fogo novamente não deve dar trégua ao país, em especial a Mato Grosso. Mesmo diante da informação, desse percentual expressivo e podendo evitá-lo todos os anos, o cenário sempre se repete e a falta de prevenção é evidenciada em todo Estado. Não é preciso ir longe para perceber a falha. Na rodovia Emanuel Pinheiro, que liga Cuiabá a Chapada dos Guimarães, por exemplo, as margens da via estão tomadas pelo mato que, em alguns pontos, chegam a cobrir as placas de sinalizações. “O dia em que os agentes públicos cumprirem com seu papel teremos redução 70% a 80% do fogo”.

 

Para o professor, que trabalha há mais de 40 anos na área, e foi um dos primeiros coordenadores do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), criado na década de 90, as medidas anunciadas são ultrapassadas, já que mesmo diante do prolongamento do período de proibição das queimadas, que ocorre nos últimos anos, Mato Grosso continua registrando fogo ano após ano. Gonçalves destaca que o Estado utiliza a mesma portaria que foi elaborada por ele e Frederico Müller, na década de 90. “Ela já não serve mais, vivemos outra realidade”.

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